Situação 1: um adulto sozinho, antes de 09:00 da manhã, entra numa lanchonete, compra um milk-shake e vai embora.
Situação 2: o mesmo adulto, com 2 crianças, entra na mesma lanchonete, num fim de tarde, compra um milk-shake e consome na lanchonete.
Mesmo produto, mesma pessoa. Mas “trabalhos” diferentes. Trabalho, aqui, é algo que uma pessoa quer ou precisa realizar (no inglês, conhecido como “jobs to be done”).
Na situação 1: trabalhadores que se deslocam grandes distâncias de carro até o escritório querem se manter acordados e ao mesmo tempo tornar esse momento mais agradável, além de segurar a fome até o almoço. Esse é o trabalho a ser realizado.
Já na 2: pais com filhos numa sexta-feira à noite em lanchonete querem acalmar as crianças e se sentirem bons pais. Outro trabalho a ser realizado.
Pessoas compram produtos/serviços para realizar trabalhos. Portanto, se eu entendo bem o trabalho que precisa ser realizado, inovo com menos risco.
Para realizar o primeiro trabalho, o que um milk-shake pode oferecer? Por exemplo, ser espesso (assim demorando para tomar tudo) e ter embalagem muito prática e limpa (facilitando tomar no carro).
Para o segundo, sabores atrativos para crianças, uma embalagem divertida, talvez menos açúcares, para os pais se sentirem melhor.
E quando existem oportunidades para inovar? Quando há dores, que são trabalhos IMPORTANTES e NÃO ATENDIDOS.
De forma simples e resumida, esses são dois conceitos importantes e práticos do livro “Muito Além da Sorte”, de Clayton Christensen, Karen Dillon, Taddy Hall e David Duncan.
Quer inovar? Comece pelas dores.